Márquete

Até que ponto o márquete que se faz no mundo moderno é invasivo ou indesejado? Nos vemos obrigados a aturar propagandas, panfletos, painéis, espam, anúncios, etc. Sofremos um bombardeio constante de informações inúteis querendo captar nossa atenção consciente ou mesmo inconsciente (o que é pior ainda!).

Navegando na internete, por exemplo, não me lembro de uma única vez em que eu tenha clicado em qualquer anúncio por estar interessado no conteúdo apresentado. A única razão que vejo nestes anúncios é pela mensagem subliminar que eles podem incutir em nosso subconsciente (tipo aquele hipnotizante: "Compre batom!", alguém se lembra da propaganda desse chocolate da Garoto?).

Uma passeada pela história nos faz pensar como era o márquete antes dos meios de comunicação de massa modernos: cri, cri, cri... Silêncio... Nada? É, simples assim, não existia márquete da forma impessoal como temos hoje. O máximo que podemos admitir é o márquete da argumentação interpessoal, no ato da negociação de escambo, ou entre comerciante e comprador, diretamente.

O márquete mesmo, mercadológico, surge a partir da produção em massa da era industrial. Bem no início, tratava-se mais de mostrar que determinado "novo" produto existia, e que o consumidor "precisava" dele. Com a produção de mais variedades do mesmo item, é preciso destacar a própria marca, mostrar sua existência aos consumidores, frente à concorrência dos similares.

Hoje em dia a ideia de márquete se generalizou e atua em todos os sentidos, inclusive no âmbito das ideias, ideologias, política, religião, filosofia, vida profissional, sentimental, enfim, não só voltado a produtos e serviços. Além da massificação dos meios de comunicação (celular + internete = computafone = smartphone), o simples fato de se passar informações de márquete sem necessidade de prova lógica, referência notória, ou algum meio de confirmação contundente, abre a brecha para a rápida divulgação de notícias falsas, falácias e achismos, os mais variados e paranóicos possíveis. Estamos na era da mentira, deslavada, inconsequente ou cínica, e infelizmente, o márquete em geral acabou sendo associado a esse desvio de conduta. Não adianta negar, é algo que se percebe facilmente até por meio de ditados populares: "Quando a esmola é grande, o santo desconfia".

É triste ter essa visão negativa do márquete. Mas podemos suavizar um pouco o quadro quando vemos trabalhos bem feitos de propaganda, verdadeiras obras de arte, orquestradas por profissionais competentes do ramo, que tem vocação e estudo sobre o assunto.

Então, vamos fazer um exercício de imaginação para ver como o márquete se encaixaria de forma positiva no mundo. Teria que ser o "márquete da honestidade". Alguma sugestão? O único márquete que vejo como positivo é aquele feito pelo lado do cliente, o famoso "boca a boca", pelo mérito constatado por experiência pessoal sobre a qualidade do produto.

Por enquanto, cabe a nós o esforço de nos mantermos sempre atentos, com olhar crítico, conscientes de nossas necessidades reais e mais importantes, para não sermos manipulados pela avalanche de sugestões a que somos constantemente submetidos.

Obs.: o aportuguesamento da palavra marketing como "mercadologia" parece-me que não foi aceita informalmente.

Algumas referências